Seria uma boa manchete para registrar nosso descontentamento, diante de mais um ato de arrogância de um cidadão norte-americano contra nosso país. Seria, mas não é. Dizemos isso principalmente porque estes atos isolados são alimentados pela política de ódio, patrocinada pelo atual chefe de governo dos Estados Unidos. Seria uma boa manchete se não fossemos um país sério. Apesar da má fama, o Brasil ainda tem muita gente acreditando que podemos nos transformar numa grande Nação, com exemplos de notáveis para a contemporaneidade. O ato do turista bêbado e excêntrico soma-se a um outro de outras semanas, a do comandante de uma aeronave norte-americana que, com o dedo central da mão direita, agrediu o Serviço de Imigração Brasileiro. Quem tomou foi ele, uma tremenda multa e passou pelo constrangimento de ser detido e, em seguida, despachado para sua terra natal. As autoridades brasileiras adotaram medidas com firmeza e cautela, como a situação exigia. No caso da agressão ao recém nascido, a reação não foi diferente, somando-se aí o gesto das empresas brasileiras diante do desordeiro.
Nesses mesmos dias de turbulência chega ao Brasil o primeiro avião, transportando os brasileiros deportados por entrar nos Estados Unidos como clandestinos, sendo dois deles imediatamente recolhidos à prisão por crimes cometidos. Aí a vergonha não é só dos familiares, mas de todos nós que durante décadas aceitamos o papel de subalternos de um país violento como os Estados Unidos. A situação econômica deteriorada em que vivemos hoje não teve início nesses últimos meses, é um processo terrível que vem de há muito. No entanto seria essa uma grande oportunidade para colocar as cartas na mesa e avaliar com seriedade as causas e os remédios a serem adotados para os principais males, dentre eles o desemprego. E por onde começaríamos essa discussão, com um mínimo de seriedade? Pela imprensa. Nesses mesmos dias onde fatos mais graves ainda acontecem, tais como a morte de fiscais federais em Minas Gerais que impediam outra vergonha nacional (a mão-de-obra escrava). Enquanto isso, repórteres do jornal A Folha de São Paulo, seguindo o padrão traçado pela sua direção, cumprem mais uma tarefa de minar o esforço, não apenas do atual governo, mas de importantes segmentos da sociedade brasileira, dentre eles os empresários, na busca de soluções para os problemas acima citados.
Um deles (da reportagem local), ao comentar a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo sobre um pedido de habeas corpus cola na mesma matéria, no parágrafo seguinte, a afirmativa de que o Partido dos Trabalhadores pensa diferente. Diz a repórter: "A decisão do TJ contraria a versão sustentada pelo PT de que a morte de Celso Daniel foi crime comum. O deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), advogado designado pelo partido para acompanhar as investigações, sempre disse estar “convicto" da inocência do empresário". A repórter mente ou é mal intencionada, por dois motivos, a saber: Greenhalgh nunca defendeu inocência ou não inocência do agora acusado. No calor dos acontecimentos de 2002 dizia que achava muito difícil qualquer envolvimento do mesmo no caso, mas se fosse descoberto algum indício desse envolvimento ele, Greenhalgh, seria o primeiro a colocá-lo na parede. Segundo erro, Greenhalgh não acompanha mais o caso, por livre e espontânea vontade se afastou e, em seu lugar, assumiu o jurista Aristides Junqueira. Por não ter acesso a quem acompanha hoje o caso, em nome do PT, a jornalista preferiu apelar para a chacota, o viés sensacionalista. Quem está em apuros não é o PT, ele não está em julgamento. O partido é vítima, a começar da perda de um dos seus mais importantes quadros.
Continuando a ladainha, com o intuito do desgastar permanente, outro setorista da sucursal de Brasília cumpre sua tarefa diária de semear discórdia entre a equipe de governo, como se isso viesse a ajudar a atual conjuntura. Tenta fazer seus leitores entender que o Planalto não passa de um desfile de vaidades e de disputas pessoais. É ridícula a interpretação dada pelo jornalista da Folha de Brasília quando tenta fazer crer que o Ministro José Dirceu passou a ter funções burocráticas, cuidando apenas dos afazeres domésticos. É ridículo imaginar que este grupo de políticos, chamado pejorativamente por uma parte da imprensa de grupo de ferro, venha a se desfazer agora, deixando Lula governando apenas com a ajuda da sua primeira dama. Este grupo que coordena o atual governo é o mesmo formado dentro do PT, sob a coordenação de Lula e Zé Dirceu, justamente para que o partido, na década de 80, não se transformasse numa "casa da mãe Joana". Foi criado para articular a ação política do partido, daí o nome ARTICULAÇÃO. Seu principal objetivo era que o PT não se transformasse em uma federação de pequenos partidos. Hoje, este mesmo grupo, além das tarefas partidárias, governa o país. O desmentido veio publicado no periódico concorrente, o Estado de São Paulo, com a seguinte nota: O secretário de imprensa, Ricardo Kotscho, afirmou que conversou com Lula sobre a matéria e que o presidente riu da notícia. Segundo o secretário, Lula disse estar "muito satisfeito" com o comportamento de Dirceu. De acordo com ele, o ministro está fazendo tudo "exatamente" como combinado com Lula antes de o presidente deixar o Brasil para as viagens à Índia e Suíça. O presidente está mantendo "contatos freqüentes" por telefone com Dirceu e com o vice José Alencar, informou o assessor".
É ridículo, portanto, imaginar que agora com as responsabilidades multiplicadas ao infinito o presidente da República acreditasse ser capaz de governar sozinho o Brasil. Haverá tempo para se escrever mais sobre o que está por traz dessa campanha infame, porém alguém há de dizer em primeiro lugar: essa campanha poderá conduzir a uma desestabilização do atual governo. É isso o que se tem em mente?
De resto, é olhar com independência e seriedade para ver que o norte-americano agressor de ontem não representa uma ameaça, ele é fruto da insegurança que o presidente do seu país vem pregando para garantir sua permanência na Casa Branca. Quanto ao "terrorista" norte-americano, vamos ver se ele é bom mesmo de briga. Manda ele jogar um copo de água no rosto do Popó!!!!.
Jair Alves - Dramaturgo/SP
quinta-feira, 17 de abril de 2008
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