Jair Alves - dramaturgo
Vamos parar com isso, você que assina Giulia Saldanha? Não preciso lembrar a você o ano em que vivemos, ou preciso? Essa coisa antiga de se esconder por trás de um pseudônimo é coisa do final do século XIX, sabia? O texto que você diz ser um “artigo”, com o título pouco elucidativo “Sabedoria da Igualdade”, é um pé no saco. Você conseguiu superar a si mesma (ou mesmo?). Nada contra escrever o que bem entende, mesmo cometendo esses erros crassos de ortografia e concordância. Você pode e deve continuar escrevendo o que bem entende, afinal a Internet tem alguns truques que podemos usar, tais como bloquear as porcarias que nos chegam pelo correio eletrônico e identificar de onde saem essas “preciosidades”, em especial quando a distinta pessoa pensa se esconder, através de um endereço criado no Hotmail. Portanto, isso não é uma censura, é uma sugestão: assuma as bobagens que você anda escrevendo porque, assim, fica mais fácil mostrar o tamanho da sua mediocridade.
O que é mais vil na sua manifestação? O fato de você citar pessoas, sem que elas possam se defender. Muitos dos nomes que aparecem nos seus “artigos” são meus amigos, outros nem tanto. Mesmo assim tomo como minhas suas dores, pois sei que é um ato covarde essa mania, sepultada pela história, do uso do pseudônimo. Já desde o seu primeiro texto enviado a mim eu perguntava, de onde vinha e o que fazia? Não era muita coisa, pedia somente uma referência para saber com quem estava falando. Em troca, veio o silêncio.
Quanto ao conteúdo de suas mensagens, melhor do que escrever você precisa ler um pouco mais, se é que lê alguma coisa. Tudo indica que é um daqueles que engrossa o coro dos que sentem o cheiro do pum e sai por ai dizendo “alguém peidou, alguém peidou”. Por falar nisso, seus textos não passam de um pum no elevador. Fora isso, reproduz a costumeira arrogância, disfarçando a ignorância. Já se deu ao cúmulo de comparar-se a Plínio Marcos e Nelson Rodrigues, agora só falta evocar Balzac e Rasputin. Talvez um dia venha a citar Paulo Francis. Não acho que não deva, porque assim fazendo talvez não cometesse tantos erros de ortografia e concordância. Adora citar Roberto Piva, talvez fosse o caso de ler melhor seus escritos. Piva não é um reacionário, é um anarquista (e um chato, às vezes). Poderia ler Artaud, esse então vai te demonstrar, já na primeira metade do século XX, todos os equívocos da esquerda que se meteu com as artes e a literatura. Porém, não se preocupe tanto em se manifestar sobre o que é esquerda e a não esquerda, você precisa superar outras questões antes disso. Ainda falando sobre sua arrogância e falta de conhecimento (imperdoável para quem se diz articulista), cumpre-me dizer que ao citar o seu novo guru, Arnaldo Jabor, involuntariamente demonstrou sua verdadeira vocação. Saiba você: a arrogância de Jabor é igualzinha àquela demonstrada por Stédile e por essa papa-hóstia que veio das Alagoas, confundir o cenário nacional. Um capitão aposentado do exército, um desses que colocava bombas em cartas para a OAB e promovia atos terroristas não faria pior do que esses dois “oficie-boys da revolução”, e você está agindo da mesma forma. Portanto, ainda continuo sugerindo que leia um pouco sobre a contemporaneidade e, assim, vai encontrar material suficiente para escrever melhor e, quem sabe, produzir coragem para colocar seu “nominho” na reta.
Acho que uma página é o suficiente para o nada que você representa (dispenso outros comentários), salvo, é claro, o perigo da generalização da calúnia.
(*) “Homem do Salto” era um fetichista que, na década de 60 e 70, escrevia cartas anônimas e eróticas para as atrizes dos elencos que estreava. Esse, ao menos, tinha um estilo, não é o caso de GS.
31/05/2004
terça-feira, 29 de abril de 2008
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