domingo, 13 de abril de 2008

(*) A DIREITA NÃO FARIA MELHOR

A Folha de S.Paulo, através de seu colunista Fernando Rodrigues, abre uma ferida profunda no embate político entre a esquerda e a direita no Brasil. Publica, com todas as cores, um ato de vandalismo estudantil contra o bom senso e a figura do presidente do Brasil. Num quadro onde procuramos afirmar a liberdade de expressão, nada a dizer contra a Folha, salvo a insistência do uso do sic, acentuando os erros de português do então deputado federal mais votado do Brasil. O Lula evoluiu, sim, inclusive cometendo menos erros de português. Pena que não podemos dizer o mesmo da maioria dos jornalistas, jogada prematuramente no mercado de trabalho.


De qualquer forma, toda nossa indignação diz respeito aos autores do ato covarde e irresponsável. A direita não faria melhor com esse material, gravado e exposto agora para a história contemporânea. Fora de contexto, esse material gravado e também transcrito vai subsidiar, ai sim inúmeras campanhas difamatórias contra o presidente da República e o próprio PT que os enfant terribles dizem defender. Esta molecagem não é diferente da molecagem daquele obscuro vereador do PMDB que, em 85, foi ao programa eleitoral de Jânio Quadros para exibir uma reportagem, da revista Plaiboy, onde Fernando Henrique Cardoso assumia que tinha fumado maconha.



Não foi o Lula quem mudou, foi o próprio PT. O Brasil mudou. O PT passou por um Congresso, em 1992, onde rediscutiu todas as suas metas, e por quatro disputas pela presidência da República. O PT e o Lula têm que ouvir a maioria da população brasileira, não essa legião de candidatos ao Big Brother Brasil.



Essa legião minoritária, sob o guarda-chuva das conquistas sociais que este partido conseguiu para o Brasil, usa hoje o que a direita sempre usou, a difamação, o terrorismo. Uma imagem vale mais do que mil palavras, diz o dito jornalístico, porém uma imagem colocada fora de contexto pode e, invariavelmente, acaba provocando efeito contrário. Naquele contexto o PT era oposição e se preparava para enfrentar uma Constituinte onde as forças democráticas eram minoria no Congresso, resultado da “dinheirama” toda gasta para a escolha dos constituintes no ano anterior. O governo de Sarney foi escolhido, através do voto indireto que, por sinal, o PT foi contra e por conta disso expulsou deputados. Esses deputados desrespeitaram uma resolução partidária. Como se pode ver, esses irresponsáveis de hoje estão legitimando sua própria expulsão, pois o PT de hoje pensa diferente deles.



Na incompetência de fazer valer suas idéias a respeito dos mais diferentes temas, dentro das instâncias partidárias, vão ao ágora, às tevês, aos jornais cometer um ato de tamanho vandalismo. Tenho certeza de que muitos parlamentares progressistas de hoje não autorizariam, se pudessem, pronunciamentos feitos em recinto fechado, no passado, por considerá-los inoportunos hoje. Os astros do Big Brother adoram “expor” suas entranhas, diante das câmaras de TV, porque estão se digladiando por um prêmio final e a meteórica “notoriedade”. Quando falamos da história e da vida de milhões de pessoas, obrigatoriamente devemos ser mais responsáveis. Coisa que essa molecagem estudantil, digna de um trote de calouro, não levou em consideração.



Por falar em estudantes, vale lembrar que os estudantes, em outro contexto histórico, mudaram a história do Brasil e nos impediu cair de uma vez na barbárie e, muitos deles, Gracias a Diós, ajudam a governar o Brasil de hoje.



Para finalizar, a grande maioria da população que continua privada de informações, vítima que é da forma como se comportam os atuais meios de comunicação, precisa tomar conhecimento do que pensam os assim chamados “radicais”, sobre os mais diferentes temas. Lamentavelmente, suas posições não ecoam na imprensa. Por quê? Porque para a muita gente não interessa o quê eles pensam, e sim o quanto podem desgastar o atual governo.



Só resta propor: Terrorismo não! Todos ao debate das idéias!



Jair Alves - Dramaturgo



(*) A Folha de S.Paulo publicou na coluna Painel do Leitor, dia 22/05, trechos do texto acima.

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