Mas que diabos, o que estava fazendo o Ministro da Educação em Portugal?
As vezes me pergunto se o mundo não está dividido entre os que escrevem no jornal e os que não escrevem. Mais grave que a divisão entre os ricos e os pobres, brancos e não brancos (para o serviço de imigração dos estados unidos sou latino), desenvolvidos e os não desenvolvidos, parece que o mundo contemporâneo está dividido entre aqueles que escrevem artigos e os que não escrevem artigos. Até muito pouco tempo recebia de um inacessível e-mail mensagens com o título Artigos do Cristóvão. Era um pé no meu embornal porque nunca tive a chance de responder a eles pois seu remetente travou a recepção. Todos eles traziam uma visão aristocrática do mundo do tipo “Casagrande e a Senzala”. Pois bem inspirado num samba de Noel o autor dos referidos artigos foi demitido por telefone na semana que passou e a imprensa, sem muito o quê publicar deu exagerado ênfase ao DDI do presidente. Mas que diabos, o que estava fazendo o Ministro da Educação em Portugal? Segundo a mesma imprensa passando suas férias. Eu não faria isso. Se estivesse de fato me sentindo perseguido, como ele revelou a imprensa cuidaria de montar barricadas para garantir meus pontos de vista, ou então como se diz por aí “pegando meu boné é sartando fora”. Temos aí caracterizado algumas personagens do mundo contemporâneo brasileiro: Os intelectuais acadêmicos e a imprensa.
Aos fatos
Du-vi-do. Du-vi- do ó, como diria Didi, que qualquer grave problema que tenha afligido a sociedade brasileira (e dela participam os pobres, os subdesenvolvidos e os latinos como eu), não tenha sido equacionado dentro da academia. Todas as questões nevrálgicas foram estudadas e apontadas ao menos uma solução dentro das Universidades. Das enchentes ao analfabetismo. Da prevenção contra o câncer à forma econômica de se distribuir leite para as criancinhas do Brasil. No entanto há que se perguntar porque tudo isso não chega ao conhecimento do Estado nos 3 poderes (executivo, legislativo e judiciário) para amenizar o sofrimento da população?. Dois componentes contribuem para esse chove não molha – de um lado a vaidade dos acadêmicos (com regra é claro, as exceções confirmam a mesma) e de outro analfabetismo jornalístico (também como regra). Nesse particular, a imprensa tem demonstrado total despreparo para filtrar o que é conhecimento e o que é pitoresco. Há poucas semanas, reproduzindo releases distribuídos pelas agencias internacionais alguns jornais brasileiros publicaram que o manda chuva da Parmalat (hoje preso) teria ordenado que seu contador destruísse a marteladas o seu computador pessoal, no intuito de destruir provas dos atos ilícitos cometidos. Lamentavelmente a imprensa brasileira achou bombástica essa “noticia” e mandou bala. Qualquer iniciante de informática sabe que a memória de um computador em muitos casos é menor que um martelo e pode ser substituída em poucos minutos sem deixar pistas. Mas a imprensa optou pela anedota povoando a imaginação dos leitores de como teria sido essa picaretagem. O final do capítulo terminou de forma nada engraçada – “pularam” o contador de uma ponte na semana que passou.
A disputa acadêmica é pior, na maioria das vezes é feita com o dinheiro de todos nós e o feijão continua queimando. A arrogância com que a atuação do estado é tratada pelos acadêmicos (como regra é claro) é de doer. Há cerca de oito anos circulava uma máxima forjada por alguns acadêmicos mais preocupados com o feijão e menos com sua vaidade, que dizia “a cidade a universidade” ou “o que a universidade pode fazer por sua cidade”. Esse esforço ao que parece foi para o lixo, como outras iniciativas bem intencionadas. Como regra o que tem predominado é uma perfeita desconexão entre os problemas vividos pelos que residem na cidade e os que trabalham na universidade. Não há razão para considerar digno de nota o telefone para Portugal.
Quanto á cidade..bem a cidade vai bem, ao menos quando é chamada para participar de um evento grandioso. Cito aqui passagem da noite de 24 para 25 de janeiro de 2004 – esquina da avenida São João com Ipiranga – São Paulo. Nessa encruzilhada foi possível sentir que toda nossa história contemporânea passou ao passa por ali.
Quanto a escrever artigos mesmo (como regra) sendo uma forma autoritária, à vezes lançamos mão desse expediente para combater essa mesma deformação. Eu prefiro escrever peças e adoraria escrever um samba assim como faz Caetano Veloso e no passado Zé Ketti.
domingo, 13 de abril de 2008
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