quinta-feira, 17 de abril de 2008

OPERAÇÃO MAÇÃ DOURADA

Quem afinal comeu a Maçã Dourada? Literalmente foi um inocente elefante do Zoológico de São Paulo, envenenado e morto, junto com outros inocentes animais. Segundo uma veterinária que participa das análises, bastava quantidade igual ou pouco maior do que a de uma cabeça de fósforo para mandar para o beleléu o musculoso quadrúpede, e é bem provável que o mesmo tenha ingerido uma maçã com o fulminante veneno. O mistério continua no Zôo paulistano e a polícia está na pista certa - procura as razões e os autores do crime. Já no atual quadro da política nacional o mesmo não ocorre. A imprensa não se pergunta, por exemplo, porque a maçã atirada assim, descompromissadamente, na gaiola do planalto vem atingindo tão e mortalmente tanta gente.

O que vem a ser Maçã Dourada? Na mitologia grega significa objeto da destruição: Teris a personificação da discórdia - a única deusa que não foi convidada para o casamento de Teseu, ressentida com os deuses, arremessou uma maçã dourada no corredor onde se realizava o banquete. Na fruta estavam gravadas as palavras "a mais bela". Essa maçã foi colhida por Paris e, por este motivo, subornado por três outras deusas para que ele escolhesse uma delas, a premiada, com o sugestivo mimo. Para encurtar a fábula, os acontecimentos teriam se desenvolvido e, como resultado, a operação Cavalo de Tróia, conhecida universalmente como ato de traição maior e outras interpretações menos trágicas.

Na história moderna brasileira, Maçã Dourada surgiu como agente policial infiltrada no movimento estudantil, na década de 60. Advinha para atrair quem? O ministro Zé Dirceu, na época líder dos estudantes paulistas. Dizem as más línguas que o verdadeiro nome de Maçã Dourada era Heloisa Helena (isso é fácil comprovar). Se o personagem alvo comeu a Maça Dourada, só ele pode dizer, sabe-se que literalmente não. O treizoitão enfiado na cintura da beldade teria provocado desconfianças e a farsa veio a público. Isso não impediu que a tragédia maior acontecesse. Maça Dourada era apenas um componente da monstruosa trama e traição. Os resultados daquelas operações "finge ser aquilo que não é" foram amplamente registrados em livros, filmes e minisséries da Globo. Vide Anos Dourados.

A pista, porém, para desvendar o presente vem daqueles que praticam ciências ocultas, o Discordianismo, cuja Maçã Dourada sempre foi o símbolo maior. Seus praticantes chegam a adotar inocente distribuição de plantinhas nos semáforos, disfarçados de defensores da natureza quando, na verdade, essas plantas são mudas de cannabis sativa (MACONHA). Na internet se encontra registro dessa barafunda ter ocorrido na cidade de Curitiba. Figurativamente, esse efeito da maçã dourada no quadro conjuntural é inequivocamente anárquico e apocalíptico. Nessa histeria em que vivemos não estamos longe de ver pela tevê cenas gravadas, no início da rampa do Planalto, apoplécticos espectros, anteriormente inconciliáveis, como um tal Virgilio, um tal Babá, uma tal Heloisa Helena, juntos, pedindo "JUSTIÇA". Poderemos ver também a mesma turba que ovacionou o presidente, no dia da fraternidade Universal de 2003, correndo ensandecida com a cabeça do Ministro espetada numa lança dos dragões da Independência. Tudo pode acontecer se a ira contagiante da discórdia não for atenuada com uma pequena de dose de razão, já que coerência é impossível pedir.

O tal Waldomiro encarnou a verdadeira face da maçã envenenada, anteriormente objeto do desejo. Quem não gostaria de receber, antes da Sexta-Feira 13, um e-mail do endereço eletrônico aquiwaldomiro@planalto.gov.br, marcando uma audiência? A esquerda mais radicalizada e a direita menos civilizada vibrariam com a generosa atenção. Com a quebra do encanto, aquele homem alto e fino virou aquilo que sempre foi - um instrumento, um Cavalo de Tróia.

Os homens que produzem cultura nesta Nação, ainda em formação, haverão de sugerir o caminho da concórdia e da harmonia, mesmo que no passado um outro Ministro e negro tenha escrito os seguintes versos: "a cultura e a civilização, elas que se danem ou não!". A operação Maçã Dourada será desmascarada, fora isso somente o caos. A barbárie é o que não queremos. Ao menos o autor deste modesto texto diz isso.

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