sexta-feira, 18 de abril de 2008

CACHORRO TEM FANTASIA SEXUAL?

Você tem a resposta para esta pergunta? Acho difícil que alguém esteja neste momento, escondido em algum laboratório, procurando dar uma palavra definitiva a respeito. O que se sabe é que a reação instintiva passou a ser praxe nas relações intersociais, em especial àquelas que invadem o noticiário diário. Em certas situações emudeço meu televisor, procurando assim não me sentir contaminado pela raiva canina, tão comum nos dias de hoje. Mesmo assim, é inevitável que eu mantenha os olhos grudados na tevê e tenha à sensação de que alguns deles estão latindo. Os tiques nervosos de alguns, virando nervosamente a cabeça para os lados, com os olhos esbugalhados, me dão um medo danado. Agora sim, passado 17 meses, entendo as razões daquele famoso depoimento da atriz Regina Duarte, dizendo que estava com medo. Sensível, como atriz, deve ter percebido que seus pares poderiam mergulhar nesse estado de histeria. Pior, que esse estado poderia contaminar todos os canais de discussão sobre a nossa realidade mais imediata. Portanto, aquele carnaval das mulheres que demonstraram não ter medo era só "encenação".

Decorridos menos tempo, exatos 30 dias da sexta-feira 13, o quadro parece se agravar no que diz respeito à contaminação pela raiva. Desgraçadamente sou um daqueles que aceitam provocação. Não deixo um insulto sem resposta, mesmo que seja para sussurrar no banheiro, "aquele sujeito não tinha o direito de falar tamanha mentira", ou coisa parecida. Os fóruns disponibilizados pela UOL, TERRA, passando por Caros Amigos, são verdadeiros laboratórios de agressão. Não servem para nada, não politizam e não informam nada. Servem apenas para projeção de anônimos "ex-fundadores do PT, ex-eleitores do PT e fascistas confessos". Gente que de uma hora para a outra se transforma em porta-voz da indignação nacional. Profeta de feira é o que não falta nos dias de hoje. Esse exercício de retórica seria inocente se não estimulasse um estado de espírito, onde o que vale não é a dura e crua realidade e sim o instinto animal de atacar e morder.

Esta sexta-feira, 12, trouxe um novo componente, a participação na cena nacional de um nefasto personagem, antigo colaborador do ministro da Fazenda. Muitas dúvidas são levantadas, cujo objetivo não é outro senão o de tumultuar o galinheiro. Todo esforço converge para a montagem de um circo, um palanque aonde não faltarão cães ladrando. Uma nova consciência que seria desejável - NADA. O amadorismo na manipulação das informações disponíveis é grotesco, dando a nítida sensação de serem os dossiês montados por aqueles antigos agentes da Polícia Federal, durante o regime militar. Os mesmos dossiês que os intelectuais adoram fazer piadinha, como fez Ferreira Gullar recentemente. Por falar nisso, quem levou à impressa o conteúdo dos depoimentos de sexta-feira última? Um articulista da Folha chegou ao absurdo de dizer que seriam pessoas do próprio governo, indução que levaria o leitor desavisado a pensar que o Planalto está uma verdadeira briga de foice.

Num esforço de ser independente e justo, registro que a entrevista publicada pela Revista Época dessa semana, com o tesoureiro do PT, é uma verdadeira performance da arrogância, auto-suficiência e outros adjetivos impublicáveis. Mesmo considerando o dirigismo da matéria, seria difícil sustentar que o que consta da mesma tenha sido inventado. O entrevistado chega a se comparar a Celso Daniel, ao próprio José Dirceu e ao deputado e presidente do PPS, Roberto Freire. É muito difícil imaginar que iremos muito longe nessa encenação. O fim pode estar próximo.

No cenário internacional, a Espanha, cansada de dor e sangue, dá uma demonstração de maturidade diante de um ato de selvageria, desses promovidos por cães raivosos sem endereço fixo. Em primeiro lugar indo às ruas 24 horas depois, debaixo de frio e chuva, para dizer NÃO. Exatos três dias depois, o povo dá a resposta nas urnas, ao envolvimento do primeiro ministro na Guerra contra o Iraque. O governo pagou o preço que todo tirano deveria pagar - o limbo. Viva o Povo Espanhol; Viva a Imprensa Livre Espanhola e, por que não, Viva o Povo Brasileiro.

Quando Joelmir Beting, Arnaldo Jabor e Datena se transformam em eficazes defensores de um governo governável é tempo de perguntar se não estamos à beira de um ataque de nervos (ainda a Espanha como referência - Almadovar).

A resposta à pergunta inicial, se os cães têm fantasia sexual, imitando assim seres humanos, talvez seja: não importa se os cães imitam os homens que sonham, o lamentável é constatar que esses mesmos homens continuam agindo como cães sem dono e compaixão. Portanto, próximos da barbárie.


(*) Jair Alves - Dramaturgo/SP

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