"promover e estimular a regionalização da produção cultural e artística brasileira, com valorização de recursos humanos e conteúdos locais; salvaguardar a sobrevivência e o florescimento dos modos de criar, fazer e viver da sociedade brasileira; priorizar o produto cultural originário do País" (*)
Por Jair Alves - Dramaturgo/SP
Mino Carta não presta muita atenção no que está acontecendo com a Cultura Brasileira. Pudera! Para editar, publicar e manter uma revista de circulação nacional (Carta Capital), com a responsabilidade que acabou involuntariamente assumindo, é razoável que não encontre tempo para refletir e escrever sobre outros temas tão cabeludos como este que se segue.
O Estado brasileiro vem 'bancando' produções, oriundas de North America, sendo o caso mais recente a superprodução Group Blue Man, cuja estréia aconteceu sexta-feira última (22/06), numa badalada casa de espetáculos de São Paulo. Um espetáculo que tem a chancela da mesma empresa que já levou, no ano passado, 10 milhões de reais para manter a temporada de Fantasma da Opera, agora briga para que o Estado brasileiro dê mais algumas dezenas de milhões de reais para outra "obra prima" do imperialismo cultural - Miss Saigon. Foi pedido para que o CNIC autorize captação, na iniciativa privada, de nada menos do que 27 milhões de reais. O negócio não tem nenhum segredo; o Estado autoriza a destinação do dinheiro do Imposto de Renda para uma produção, cujo ingresso chega a custar 320,00 reais, e quem "patrocina" são empresas que de brasileiras não têm nada, como o Banco Citicard S.A. e a Ericson Telecomunicações S.A.
Perfeito exemplo de operação casada. E ainda tem gente que se preocupa com o preço da vaca, criada em Alagoas. Hipocrisia pura. Tudo isso vem acontecendo debaixo dos olhos lagrimejantes de brasileiros 'bonzinhos' (como dizia a atriz francesa, Jaqueline Mirna, radicada no Brasil, na década de 60). O caso Group Blue Man é mais escandaloso porque a empresa, que só de sacanagem tem o mesmo nome da CIA, pronunciado em inglês, propõe que o Estado brasileiro banque 40 apresentações, por "apenas" R$ 8.767.411,45, ou seja, cada espetáculo custaria aos cofres do Ministério da Cultura, aproximadamente, R$ 219.185,28.
É exatamente neste momento que entra em cena Mino Carta, com todo seu exercito de Brancaleone. Carta Capital (revista especializada em política, economia e cultura) deveria ter a mesma oportunidade de entrar com um projeto, no Ministério da Cultura, pedindo autorização de igual valor. Caso fosse aprovado, a Revista poderia fornecer, por 10 meses, gratuitamente, 50 mil assinaturas para jovens estudantes, distribuídos por esse Brasil afora, além de velhinhas órfãs de Bingo (agora, na ilegalidade); operários semi-alfabetizados; e vagabundos em geral. Sinceramente acreditamos que ai, sim, haveria uma Revolução Cultural e, quem sabe (perdoem-nos a palavra), socialista.
De duas uma: ou estamos completamente bêbados, neutralizados pelo martelar diário e maçante dos demais veículos de comunicação impresso (**) ou, de fato, não estamos prestando atenção no andar da carruagem que John Ford e Wayne nos empurram goela abaixo.
(*) ítens do artigo primeiro da Lei de Incentivo à Cultura.
(**) Exceções, é claro, à Carta Maior, Caros Amigos, e outras publicações similares.
29/06/2007
terça-feira, 29 de abril de 2008
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