Ao menos 67% da população votante fez uma escolha, neste outubro de 2002, e, essa escolha, a qualquer custo precisa ser e vai ser respeitada. Não se pode admitir a arrogância dos perdedores, querendo fazer valer uma retórica agressiva de que não há motivos para festa. Há, sim. A performance do ex-presidente do partido governista, ontem, discursando no Senado, faz lembrar aquela famosa frase do dramaturgo Durremath, “seria cômico senão fosse sério”. Com os seus costumeiros trejeitos nervosos, me fez pensar noutro dramaturgo, dessa vez, Artaud, que foi internado num hospital de loucos, por nove anos, pela sociedade que tinha produzido a noção de loucura. A mesma sociedade que tinha permitido a tomada do poder, pelos nazistas. Arthur Virgilio me fez pensar que devemos discutir, em profundidade, a respeito do conceito de equilíbrio mental e de pessoas que precisam ser retiradas do convívio coletivo. A arrogância chega às vezes no limite de patético, porém, isso é pouco. Esse é apenas um exemplo da fúria dos perdedores que começa mostrar suas garras.
A insistência do salário mínimo, com valor superior a R$ 214,00, que pautou grande parte dos noticiários de ontem e ainda hoje, ridicularizando, como não poderia deixar de ser, um deputado do PT que tem como bandeira um salário mínimo justo, deixou bem nítido o tipo de embate que vamos ter, a partir de agora. Não mais do que 72 horas se passaram da grande vitória da democracia, e os enviados do apocalipse vêm à frente das câmeras e lentes para mostrar o seu número. É uma ação orquestrada, desde aquele comentarista econômico que insiste em dizer que o projeto de combate à fome já estava em curso, nos oito anos do governo que agora finda. Ele não diz, porém, e nunca diria, que existe, sim, dinheiro para combater a fome.
15/08/2004
terça-feira, 29 de abril de 2008
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