No dia 15 de dezembro de 2003, nem bem o governo Lula completara 12 meses de exercício, uma categoria, desgastada pelos descaminhos de seus dirigentes e pelo total desinteresse daqueles que um dia foram vanguarda da sociedade brasileira (os artistas, ao menos assim eles se auto-intitulavam), se reunia num teatro que nem mais existe hoje, no centro da capital paulista, para sacramentar um ato ilícito e também ilegal, dando legitimidade a uma diretoria de sindicato (prova em anexo). O erro foi crasso, porém propiciou o que se segue, que se assemelha aos velhos e temidos esquadrões da morte. Exagero? Veremos, a seguir, se o que aconteceu não é a morte da moralidade ou mais um ato administrativo legal. Analisemos juntos.
Pouca gente, em 15 de dezembro de 2003, conhecia, por exemplo, uma figura que se tornou pública, por nome Waldomiro Diniz; nem mesmo a avalanche de denúncias, orquestrada pelo PSDB/ PFL, para derrubar o Ministro da Casa Civil, José Dirceu; nem mesmo conhecíamos o termo Mensalão e Máfia das Ambulâncias; nem mesmo uma porção de coisas...
O telegrama, anexado a esta mensagem, foi recebido por um associado (*) que até aquela data, relacionava-se (ou acreditava) no uso de seus plenos direitos, sem contar que o mesmo tinha sido eleito, Diretor de Finanças, do mesmo Sindicato, com mandato até aquele fatídico dezembro de 2003, agravado pelo fato de ter sido inscrito como candidato às eleições daquele ano que, afinal, não se concretizou (assunto já tratado acima).
Temos em mãos, para que Deus, Árabes e Judeus possa analisar, toda a documentação, registrada em cartório pelo referido Sindicato, e dela não consta um documento sequer que fale da exclusão de qualquer associado, muito menos desse, citado no telegrama.
É, portanto, a manifestação explícita de um ato de força e desrespeito a todos àqueles que, apesar se equivocados, naquela triste noite, na cidade de São Paulo, deu um voto de confiança, em nome da unidade dos artistas, diante da sociedade. Segundo uma ex-presidente do Sindicato, inegável grande atriz, “era preciso preservar a imagem da entidade, diante da Sociedade” (sic). Nós não fazemos parte desse endosso, mas respeitamos o direito daquelas pessoas de terem errado, considerando-se o momento político em que vivíamos.
Pois bem, agora é a hora da volta do cipó. É a hora do troco dado por essa atual presidente (**) que, nos seus comunicados, abre sempre com uma citação da Constituição Federal. De nossa parte, sugerimos que todos os artistas profissionais, residentes no Estado de São Paulo, se quotizem para presenteá-la com uma edição do Código Penal, atualizado. Quem sabe, assim, ao tomar conhecimento de alguns ilícitos, ela nos venha poupar de tantos constrangimentos.
É terrível ler o uso de expressões, usadas com insistência por essa Diretoria, cunhadas pela extraordinária atriz, Lélia Abramo, como endosso a esses atos de explicita depredação de nossa memória. A família Abramo há de se manifestar contra esse descalabro, em especial o senhor Cláudio Weber Abramo, que ganhou notoriedade nos últimos anos, como diretor de uma organização independente, que fiscaliza atos governamentais e do Estado; os Sindicatos fazem parte do Estado. Na definição rigorosa da Lei um sindicato é uma entidade pública e não particular, portanto faz parte do Estado. É importante que o senhor Cláudio Weber Abramo seja tão rigoroso como tem sido, à frente da Transparência Brasil, na análise dos atos do governo federal, e não tolerante com atos que envolvam uma parcela menor, em especial um patrimônio cultural, como é a vida e obra da atriz Lélia Abramo, sua inesquecível tia.
Ainda sobre o Sindicato de Artistas e o Estado: não foi um punhado de desavisados que votou leis que determinam taxas e recolhimentos pecuniários, que engrossam o caixa da entidade em questão e que permite uma retirada mensal (vergonhosa), por parte da presidente citada acima. Não são os poucos reais que o telegrama insiste em devolver, e sim as tarifas votadas pelo Congresso Nacional, sancionadas pelo presidente da República, quando a Lei entrou em vigor. Portanto, isso diz respeito a todos nós.
É preciso dizer que a questão em si não responsabiliza diretamente o presidente da República, nem o ex-Ministro, nem o jornalista citado, contudo é um dever de todos cuidar para que não morramos de vergonha com mais esse episódio que pode passar impune.
Jair Alves -Dramaturgo/SP
(*) Ex-diretor, Tércio Marinho do Nascimento Filho, foi diretor do sindicato na gestão anterior e hoje faz parte de uma centena de profissionais que protesta contra esses atos ilícitos.
(**) Presidente do Sindicato, há vinte anos no cargo tem por nome -Ligia de Paula Souza.
sexta-feira, 18 de abril de 2008
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