domingo, 13 de julho de 2008

AMIGO DO LARANJEIRAS


OU

SE você fosse amigo ou amiga do ator Saulo Laranjeiras (famoso por interpretar o personagem João Plenário no programa PRAÇA É NOSSA do SBT. Ver vídeo abaixo), a quem dessas 3 (três) figuras públicas acima você iria sugerir que ele interpretasse???


http://br.youtube.com/watch?v=zl719B6OqeE&feature=related

terça-feira, 6 de maio de 2008

MORRE O INIMIGO NÚMERO UM DA MEDIOCRIDADE!!!!

MORRE O INIMIGO NÚMERO UM DA MEDIOCRIDADE!!!

Não pretendia escrever nada, sobre o desaparecimento de Plínio Marcos, ocorrido ontem. Até porque, não me agrada nenhum pouco a possibilidade de me especializar em redigir notas, sobre aqueles que nos deixam. Melhor seria, que os amigos e irmãos nunca nos deixassem. Quem sabe, a melhor forma de homenagear a partida de um amigo, é perguntar, “quer que eu vá com você?” Tenho certeza que, no caso de Plínio, ele devolveria a pergunta, com uma carinhosa ‘grossura’: “Vai se f....”, ou coisa parecida. Ele era assim mesmo, não brincava em serviço, nem com coisas sérias. Jamais aceitou uma bajulação, tinha consciência de sua força e estimulava os fracos a se defender.

O meu projeto era não escrever nada, mas sim ficar triste, o tempo que me fosse permitido chorar bastante. Porém, nessa madrugada, o serviço de notícias da Revista Época me enviou uma nota, pela Internet, que, entre outras incorreções, disse: “Trabalhou, como ator, na novela, Beto Rockfeller. Nos seus últimos anos de vida, sem dinheiro, chegou a vender livros, nos bares de São Paulo”.
Quanta contradição, nessa pequena nota. Meu Deus! Com propriedade, poderíamos reproduzir a expressão de Caetano Veloso (em 68), no conturbado show do Tuca: "Vocês não entenderam nada!!!"
1- Plínio Marcos, fez da venda de seus livros uma opção de vida, foi o preço que pagou por dizer, não. Fazia isso, desde os tempos em que deixou de escrever para o jornal, ULTIMA HORA, em São Paulo, durante todo o conturbado período da ditadura militar;
2- Com esse expediente, ele conseguiu ajudar sua primeira mulher, a criar seus três filhos. Por inúmeras vezes, Plínio voltava de um evento (que nem sempre era convidado) e, religiosamente, repartia com a ex-companheira o resultado de seu trabalho. Fazia, de qualquer aglomerado, a possibilidade de vender o produto de seu trabalho, seus escritos, em forma de livro. Criava todas essas possibilidades, sempre com muita dignidade e convicção. Livros, esses, que qualquer cidadão, por curiosidade, solidariedade ou mesmo apreço, comprou, ao longo de todos esses anos;
3- Plínio Marcos, nunca deixou de lutar. Aliás, sua missão era ensinar os oprimidos a lutar. Inventou inúmeras formas de transformar sua ARTE, em mercadoria, e sua insatisfação, em repúdio a este mundo sem esperança;
4- A NOTA, já citada, acima, poderia ser publicada com o mesmo tom, em qualquer veículo de Comunicação. Isso porque é muito difícil para a grande imprensa, que nunca engoliu o gênio de Plínio, perceber o alcance do seu gesto, em vida. A venda de seus livros, de bar em bar, na expressão (preconceituosa) do redator da nota, nada mais era (na realidade), do que um gesto de sobrevivência, que se multiplicou em toda a sociedade brasileira, de uns anos para cá. Para ser mais exato, a partir de 1985. Atualmente (1999), médicos, engenheiros, advogados, psicólogos, dentistas, entre outros, usam desse mesmo expediente para sobreviver. Procuram vender, alguma coisa na porta de um colégio qualquer, de um estádio de futebol qualquer, ou nas calçadas do centro da cidade;
5- Não era nada fácil, ser amigo de Plínio Marcos. Ele era uma pessoa muito geniosa e, para agüentar o tranco, era preciso amá-lo, com o mesmo amor pela humanidade, que ele pregou (visceralmente), em sua obra e ao longo de toda sua vida;
6- Plínio era, insuportavelmente, cristão, solidário e radical. Essa mesma radicalidade, que, com toda certeza, nos vai fazer falta para enfrentar o que está por vir;
7- Plínio Marcos, só tinha um inimigo - a categoria dos medíocres. Se essa mesma Humanidade, um dia, pretender produzir um outro modelo de relacionamento entre os homens, poderá encontrar nos escritos desse fantástico ARTISTA, pistas de um relacionamento social. Por felicidade, esses escritos estão espalhados por esse mundo afora. É só procurar e ler.

Jair Alves - Dramaturgo/SP
(Novembro, de 1999). (revisado)

REGINA DUARTE TEM MEDO DO QUÊ?

Cara Regina,

Surpreendeu-me sua participação, hoje, no programa gratuito eleitoral do candidato Serra, pregando o medo. Sua tentativa em dividir o seu medo com a Nação brasileira chega a ser patético. O seu medo de que Lula venha a ganhar as eleições, no próximo dia 27, é cômico se não fosse sério, parodiando Dürremath. Cômico, na medida em que imagina que a vida da maioria dos brasileiros seja tal qual a sua. Lamentavelmente, não é. A notoriedade da qual você, por mérito, desfruta não é vivenciada pela maioria da população brasileira. O que tem sido um terror para você (a vitória do Lula) para muita gente, quem sabe, seja a salvação. 39 milhões de pessoas depositaram em Lula a esperança de dias melhores; e isso não é pouco.
Sério, porque há justo 27 anos, numa semana qualquer de outubro de 1975, você, com outros atores, participou de uma leitura de uma peça teatral, onde o que se via era acima de tudo coragem. Estou falando do Concerto nº 1 para Piano e Orquestra (teatro Paiol, segunda quinzena daquele outubro maldito). Numa sexta-feira à meia-noite, como uma nesga de esperança, atores como João José Pompeu, Madalena Nicol, Maria Ylma, entre outros, davam prova de que alternativa não havia, a não ser enfrentar com coragem a ditadura militar. Enfretamento que fazíamos com as únicas armas de que dispúnhamos, a nossa profissão, ainda que improvisados.
O texto, escrito por João Ribeiro Chaves, cunhado de Vladimir Herzog, sacudiu a todos e nos encheu de esperança, não de medo. Na semana seguinte, ou no dia seguinte (existe uma divergência entre este que escreve e Sergio Mamberti, também diretor daquela leitura), Vlado foi morto nas dependências do DOI-CODI. Vlado esteve naquela meia-noite de sexta-feira assistindo a segunda leitura que falava de esperança, embora debaixo de pancada. Você, demonstrando ainda maior coragem quando tomou a frente e meses depois veio a montar a mesma peça, comercialmente, mantendo grande parte daquele elenco. Surpreendo-me, sinceramente, que nesse momento você lance dúvidas a respeito da idoneidade e importância histórica do ex-metalúrgico e hoje político mais importante do Brasil. A notoriedade de Lula foi conseguida com trabalho e seriedade, a mesma seriedade com que você pacientemente construiu seu prestígio, ao longo dos anos de sua carreira.
Lula representa esperança e não retrocesso, o caos. Caos e medo é o que grande parte dos que nele votaram, dentre eles eu, têm vivido. Ele significa a mudança, a mesma mudança que um dia você ajudou a construir. Destaco você, ao lado de Lélia Abramo, Fernanda Montenegro, Camila Pitanga, Regina Case, Fernanda Abreu, Lilia Cabral, como um patrimônio cultural brasileiro que não pode ser destruído. Da mesma forma não é correto, com todo o respeito, que tente transformar uma pessoa como Lula, ao qual muitos de nós brasileiros devemos, num causador de caos maior. Até porque ele teve a coragem de enfrentar os militares, junto com seus companheiros metalúrgicos do ABC. Naquela época o combustível da vida era a busca da liberdade que hoje você desfruta e todos nós também desfrutamos. Hoje o combustível da vida é a luta pela igualdade de oportunidades que Lula também representa.
Você fala que ele mudou, que não é mais o homem que você conheceu. A qual Lula você se refere? Aquele que mobilizou seus companheiros para votar em FHC para senador, em 78? Ou o Lula que comandou as greves contra o regime militar, nos anos seguintes? Nota-se que você conhece tudo de teatro e pouco de política. Permita-me, ele é o mesmo homem generoso com seus companheiros e com o destino da Nação Brasileira. Lula não renega seu passado, muito menos o que escreveu, até porque tudo o que escreveu o fez com a própria vida.
Acho que apesar da tristeza que deverá cair sobre seu coração sensível - uma possível derrota de Serra no dia 27, você deve votar, sim, nele. É o seu direito. Acho mais, espero que nos próximos dias tenha a oportunidade de dizer o quanto ele, Serra, pode fazer pelo Brasil, como economista, por exemplo. Só lamento que nesses anos todos o seu partido do coração, governando o Brasil, não tenha usado seu candidato como economista. Sei que ele é muito competente como tal, porém, não foi capaz de evitar a situação que as notícias dos jornais diários não nos deixam esquecer. A crise econômica em que nos meteram.
Acho ainda, para finalizar, que você despreza a inteligência dos eleitores, apelando para o coração sofrido de quem, em situação outra, poderia embarcar no seu medo.
Regina, sua contribuição ao teatro, tevê, cinema e à cultura brasileira, enfim, não será esquecida. O seu gesto de hoje, eu espero que sim. Para o bem de todos nós!

Respeitosamente,

Jair Alves - Dramaturgo - São Paulo

OUTUBRO DE 2002

ARTES, LITERATURA E A CIVILIZAÇÃO: ELAS QUE SE DANEM! (*)

Poderia a arte e a literatura atuar positivamente na solução de questões nacionais? Poderia, mas por enquanto não. O entrave desse emboto é a predominância, na imprensa diária, de um embate político partidário que ela não consegue se livrar e que já encheu os picuás.

Em entrevista recente ao ex-deputado e ex-ministro, José Dirceu, um ex-líder estudantil e ex-parlamentar do PT, Vladimir Palmeira, surpreendeu a todos dizendo que, se vencedor, o Movimento Estudantil de 68 desembocaria numa extraordinária produção artístico-cultural. Se verdadeira a afirmativa, (acho que sim) esta seria mais uma prova da importância que a cultura tem na vida de cada cidadão. Surpreendente, também, que nos dias de hoje, com a liberdade de expressão que desfrutamos, não experimentemos essa explosão criativa.

Para inverter esta tendência, ou seja, a polarização citada acima para o retorno das artes e da literatura, na vida dos brasileiros, antes de tudo será preciso um esforço dos profissionais dos três setores (arte, literatura e imprensa), na busca de pautas ligadas à contemporaneidade. A vida do brasileiro não se resume ao parlamento e a sua relação com as redações dos maiores veículos de comunicação. O país pulsa e se desenvolve, através de um outro segmento, econômico, histórico e cultural, o que, seguramente, não está refletido nas páginas dos jornais, tão pouco nos palcos brasileiros. A literatura, talvez, seja a exceção, no entanto padece de um entrave gigantesco. A indústria editorial está atrelada a determinados pontos de distribuição e venda dessa produção O volume de títulos, anual, é muito grande, em relação ao mercado consumidor existente. Ele precisa se expandir, porém encontra aí seu maior obstáculo, a imprensa especializada que restringe esta venda a um universo muito estreito da população, aquela que tem renda familiar acima de 10 salários mínimos.

Um outro fator que contribui significativamente para emperrar uma pauta que discuta o nosso desenvolvimento e, principalmente, nosso subdesenvolvimento, é a omissão da realidade projetada nos dias atuais. Falo das décadas de 80 e 90. Este período não é levado em consideração. Curiosamente, quando se evoca a memória, busca-se o passado anterior à movimentação desse período. A própria expressão "década perdida", é uma forma de escamotear a realidade. Como perdida, se houve história, política e cultura? Reputo isso, a mesmice da qual padecemos.

Na virada da década de 70 para 80, surgiu um tipo de literatura que acabou contagiando as demais formas de expressão - a literatura confessional. No que consiste esta literatura? Consiste no relato da história pessoal, como reflexo do período em que viveu o personagem principal e o autor da obra. O caso mais expressivo, em número, é o do jornalista e militante, Fernando Gabeira (O que é isso companheiro) e, de importância, o hoje escritor consagrado, Marcelo Rubens Paiva (Feliz ano Velho). Por que se vendeu tanto livro, no período? Porque havia uma demanda reprimida, na maioria da população jovem, potencialmente apta a ler esses relatos. Era uma curiosidade muito grande saber como viviam os personagens clandestinos, ou fechados em suas pequenas tribos. A Censura criou essa expectativa, ao longo dos anos de chumbo. Portanto, esta literatura que influenciou o teatro (no caso de Paiva) e cinema (no caso de Gabeira), desenvolveu um mercado, mas não criou vínculos com a literatura mais elaborada. No vazio, as editoras foram obrigadas a dar toda força para a literatura de auto-ajuda. A situação não é tão simples assim, automática, mas apresenta algumas evidencias da falta de espaço para aqueles que se detiveram a desenvolver uma escrita contemporânea. Um dos exemplos se manifesta na demora das filmagens do livro de Gabeira - praticamente 15 anos depois. Esta demora transformou a película, num quase pastiche, o que motivou muitos e justos protestos. Em muitos festivais, o filme foi classificado como de ação, e não um filme político. Prova, ao meu ver, que a informação histórica trazida pelo autor do livro, por essa época, já tinha sido absorvida pela realidade e pelos debates que se seguiram, aí sim, pela imprensa.

Vejo, hoje, o "esquecimento" da década de 80, até o filme "Entreatos", de João Moreira Salles, que justamente documenta a chegada de Lula à presidência da República, como o fator principal do boicote a uma arte e literatura mais atuante, mais ousada. O grande trunfo das artes e da literatura é fazer pensar, o que pode ser mortal para o status quo. É preciso dar voz e vez àqueles que ousam sonhar o futuro, como fizeram, no passado, os grandes artistas da década de 60 e 70. No teatro e na literatura, é preciso resgatar a fábula, como faziam as montagens do Grupo Oficina, o movimento Tropicalista e a Bossa Nova. Inventar uma nova forma de expressão é inventar um mundo melhor. A minha referência é a prosopopéia Panamérica, de José Agripino de Paula, falecido no ano passado. Para muitos, é a poesia concretista dos irmãos Campos, enquanto para outros, o poeta Paulo Leminski ou a escritora Clarice Lispector. Todos nos levam ao Paraíso.

Ao ter meu início de noite, invadido por personagens, via tevê, que não teriam sequer espaço nos livros de Adelaide Carraro, nem mesmo no seu livro campeão de vendas - Eu e o Governador, me pergunto, que país é esse??? Quase sempre, me lembro de Renato Russo, Cazuza e Cássia Eller, artistas que se foram, sem ter o merecido reconhecimento. Reconhecimento, para mim, é imaginar o Maracanã ou Morumbi cheios, gritando pelos poros - Oh, Oh, Oh, Renato é nosso Rei. Uh, Uh, Uh, a Cássia é a nossa vez. Cazuza, idem!

Jair Alves - Dramaturgo - São Paulo/SP

(*) Título inspirado na composição de Gilberto Gil, "Cultura e Civilização".
A cultura e a civilização, elas que se danem, ou não!

14/04/2008

QUANDO SAIR, NÃO ESQUEÇA:

Deixe comida pro cachorro, senão ele acaba comendo o sofá


Engana-se, quem pensa que estamos vivendo, hoje, os melhores dias de nossas vidas. Estamos muito longe disso. O jornalista Luis Nassif tem chamado um determinado tipo de imprensa, de "jornalismo de esgoto". Se um jornalista como ele pode escrever "esgoto", e qualquer prefeitura, por esse Brasil afora, cria departamentos de "Água e Esgoto", por que não podemos falar expressamente sobre o mais sólido e principal componente do mesmo? Desafio, quem possa dar uma resposta satisfatória a essa questão. Como diz o próprio Nassif, "estou prestes a jogar a toalha", referindo-se ao jornalismo que se faz atualmente.
A verdade é que vivemos tempos hostis, prenuncio (espero não) de tempos sombrios. A imprensa, de fato, não é a mesma dos anos pré-68, nem pré Anistia. Recuando mais ainda, nos primeiros anos da República, lembramos que as forças políticas antagônicas se digladiavam pelas páginas diárias, porém a disputa restringia-se a defesa de um ideário, nada mais. A família Mesquita, por exemplo, defendia a República, enquanto a Couto Magalhães defendia a Monarquia. Na segunda metade do século XX, nas revoluções e golpes de estado, os jornais defendiam projetos políticos, até serem empastelados pelo governo. Não se envolviam diretamente nas disputas financeiras, hoje é diferente. Qualquer dirigente de corporação que esteja á frente de uma empresa de Comunicação, pode ficar bilhardário de um dia para outro. Sendo assim, qualquer forma de comunicação que se invente (orkut, blog, celular), antes de tudo, é a possibilidade de transformar um aventureiro, do dia para noite, num grande magnata. Por que tanta briga em torno das teles e a remoção de jornalistas "bocudos"?
Gastou-se muito tempo, nos últimos anos, discutindo-se se o jornal impresso estava morto, ou não. Esqueceram que existem outros veículos de comunicação, entre os humanos (???), muito mais antigos do que o jornal impresso - o teatro e o livro, por exemplo. Eles se renovaram, de acordo com o movimento social, econômico e político, apesar de sua morte ser anunciada algumas vezes.
Estamos diante do pior, quem sabe. Não vai haver imprensa, dentro em breve. Esta será substituída por departamentos de comunicação, nas corporações. Essas, por sua vez, também serão responsáveis, desde a produção de bens e equipamentos domésticos, até programas de entretenimento diário. A principal prova de que isso já vem ocorrendo, desde há algum tempo, é a supervalorização do Marketing, em detrimento ao jornalismo.

Sinto dor na costela, quando vejo uma das emissoras de tevê (no Domingo Espetacular), fazendo inserções semanais de peças de teatro. Para meu desespero, vejo também que só são anunciadas peças, cujo elenco tenha um artista do cast das suas novelas (TV Record). A outra emissora, concorrente, logo mais vai fazer o mesmo (ou, talvez, já esteja fazendo). Ou seja, não discutimos, de fato, o dirigismo da informação. Isso subverte a democracia. Estamos a caminho do monopólio das pautas.
Talvez, seja por isso que eu tenha sido obrigado a substituir o título da novela, para BLX. Nego-me chamá-la de Esgoto Lavado. Quero chamá-la pelo nome de batismo. Essa minha teimosia tem uma explicação, a palavra que a imprensa me impediu de escrever, é a essência do esgoto do qual Nassif se refere. Portanto, na imprensa pode se encontrar corrupção, como já se provou existir no Legislativo, Executivo e Judiciário. A imprensa é e deve ser livre, menos para cometer crime. Um dos responsáveis pela difusão dessa impunidade, foi José Dirceu, provavelmente uma das suas maiores vítimas. Ele se cansou, dizendo que a imprensa vinha se comportando como partido político. Que podia se comportar assim, desde que deixasse isso claro. Bobagem, irrelevância. Isso é tão óbvio,
como chamar essa imprensa (como fazem certos militantes de esquerda) de "Imprensa Burguesa". Tudo bobagem. O fundamental seria abrir uma discussão com a sociedade, para que ela se manifestasse, sobre qual o tipo de imprensa ela acredita ser a ideal.

Jair Alves – dramaturgo
09/04/2008

Dramaturgo j.ALVES responde

ao Jornalista ph.AMORIM


O Dramaturgo entra na luta do Jornalista, pela melhoria do trânsito na cidade de São Paulo.
“Vejam só a Avenida Paulista, às seis da tarde. ASSIM NÃO DÁ!”.


Caríssimo Paulo Henrique

Certa feita, a jornalista Suely Pinheiro entrevistando outro jornalista (Heródoto Barbeiro) ouviu dele que "não existe imprensa independente", o que, de início, estou propenso a acreditar. Mas, faço algumas observações:

- Suely Pinheiro, o senhor me disse, ao telefone, não conhecer. Azar o seu. Deveria! Caso se desse ao trabalho de entrevistá-la, talvez pudesse contribuir para esclarecer um dos mais enigmáticos temas de nossa história contemporânea. Por exemplo, no seu último trabalho contratado (que a ela foi permitido realizar) organizou um curso de Jornalismo Econômico, do qual participaram, como professores, um secretário de Estado (também ex-ministro do Planejamento) e o atual Ministro da Educação. Depois disso, a sua companheira de profissão aumentou a lista dos excluídos por Deus (Mercado). Quanto a Heródoto, é normal que o conheça. Já trabalhou com ele, em duas empresas distintas;

- Já, falando em história, nos dias atuais o senhor tem sido, sim, personagem dos últimos capítulos, com algum destaque. Isso, eu afirmo! Porém, vamos colocar os pingos "nos devidos is". Normal que pense fazer um jornalismo independente, mas se equivoca. Ouso dizer que, querendo fazer puro, crítico, acaba criando uma modalidade inédita (até agora) na vida da República - o jornalismo dialético. Este, talvez, seja o ponto mais interessante de sua passagem pela história brasileira.

No dia de ontem (01 de abril) o senhor fez ilações a respeito de espetacular chantagem, promovida por conhecido personagem de nosso sistema financeiro, contra membros do governo federal e o partido que lhe dá sustentação, ameaçando-os com uma lista de propinas (aplicativo Excel). Essa planilha seria colocada, provavelmente, sob a porta das principais redações dos jornais que o senhor, sutilmente, nomeou PIG. Mais, como argumento maior, justifica dizendo ser esta manobra, pra lá de sensacional, colada à sua estada em NY, aonde teria presenciado in loco medidas judiciais de um tal banco, sediado em W.D.C. O senhor finaliza, concluindo que o tal acordo nos faz lembrar o expediente que faz parte de nossa cultura - acerto que agrada a todos os que mandam, de fato, no dinheiro que, como diz o poeta baiano, constrói e destrói coisas belas. Mas, eu discordo de um ponto: em primeiro lugar, sugiro trocar o nome desse Acórdão para “Sexta-feira Espetacular”. Ecoa como mais um escândalo, produzido pelas páginas do PIG que, como se sabe, vive toda sexta feira abalando a República, colonizada por Pinheiros, Barbeiros e Amorins. Mais ainda, lembro a passagem traumática no Brasil, do regime monarquista para republicano, o que fez com que a classe dominante se dividisse, através das páginas dos jornais antagônicos da época. O feito acabou registrando um rico material do período.

Fez parte dessa contenda, o Estadão e o Diário de S.Paulo, hoje parte das Organizações Globo. Nos dias de hoje, PHA não dividiu a classe dominante, pelo contrário, por conta de seus últimos textos acabou unindo gregos e troianos; árabes e judeus. Com efeito, vem produzindo um material inestimável da atualidade brasileira. Espero sobreviver para vê-lo premiado, pela excelência de seu trabalho. Quanto a Heródoto, continuo acreditando que, de fato, não existe um jornalismo independente, o que não esperava era que fosse legitimado o tal jornalismo corrupto. O que o senhor, tão bem, tem ajudado a desvendar.

Abraços sinceros

(*) Jair Alves - dramaturgo

(*) - Prêmio Vladimir Herzog, pela peça 7 Dias em 2000;
- Tempo de Raul e Guarnica (estréia em junho próximo, na cidade de São Paulo)


02/04/2008